sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O obituário da Rozaninha e do pinto que ela matou há 40 anos

Jornalista tem uma mania desgraçada. Sempre que alguém famoso no País ou na própria redação está mais perto da morte do que merece, o chamado "obituário" vai sendo produzido mesmo com o personagem em questão ainda vivo. Por uma questão meramente prática: se a morte acontece quando estamos a minutos de encerrar a edição, a vida e a obra do defunto já estão prontas. E pronto.

Noves fora, zero, eu aqui, me preparando pra voltar ao trabalho ainda este ano, me ocorreu perguntar se o obituário do Lula, por exemplo, já estava pronto.

Ato contínuo comecei a desenvolver a seguinte obsessão: será que o meu próprio obituário chegou a ficar pronto? Tal reflexão, naturalmente, me levou a outra obsessão: estando eu, editora, morta, quem editaria minha biografia uma vez que a pessoa mais do que indicada pra corrigir certas incorreções, estaria, digamos, impedida?

E o pinto que eu apertei na mão até o bicho morrer, há 40 anos, em Niterói, só pra ver até onde o coitado resistia? Será que alguém sabe que escuto os últimos piados daquele pinto até hoje?

Será que alguém imagina que as metáforas geradas por esse crime hediondo por uma outrora cruel Rozaninha também me perturbam até hoje?

Falando nisso, será que alguém sabe que o Steve é, até hoje, o amor da minha vida?

E se ninguém nem pensou em fazer meu obituário porque, afinal de contas, o preço do papel-jornal anda pela hora da morte?

7 comentários:

Thais disse...

Minha querida, acho que está na hora de você voltar a trabalhar !!!!!!

marcia1907 disse...

Já eu acho que está na hora de você parar de tomar aquele cházinho de cogumelo...(rs)

Bernardo Parreiras disse...

Andava afastado por excesso de trabalho, mas já vi que voltei em boa hora.

Então, no momento, o Steve é o amor da sua vida. (Quem conhece Rozane sabe que não é uma frase paradoxal; bom, talvez a frase seja, mas a reflete a realidade da minha madrinha).

Aqueles que matam são perseguidos pelas vítimas. Não sei se vc se lembra, mas José Arcadio Buendía fundou Macondo fugindo do fantasma de Prudencio Aguilar, a quem matou num duelo de honra. E Prudencio depois apareceu por lá. Ou seja, o pintinho vai piar para sempre perto de vc.

Quanto ao seu obituário, pode deixar que eu me encarrego dele. Afinal, vc me indicou como herdeiro da sua memória num momento de desespero e até então não há notícia de que tenha revogado o ato.

Tô com saudades de vc e do véio. Quero marcar pra ir aí. Beijos

ROZANE MONTEIRO disse...

tô só pensando, objetivamente, sobre o relato de minha própria morte, uai.

ROZANE MONTEIRO disse...

alguém responde Bernardo, pls. cabeça doeu só de pensar. :)))

ROZANE MONTEIRO disse...

é só marcar, mané. liga pra gente combinar, uai. bj

Elaine Duim disse...

O Steve, aquele de Nova York ainda?????? Caramba! Tudo bem que eu não posso falar muito, porque o amor da minha vida tb ficou lá atrás. Mas podia aproveitar o renascimento pra buscar um novo amor da sua vida...

E tenho que aproveitar para dizer: depois da história do pinto, fiquei com medinho de vc. Amiga, amiga...